quarta-feira, 22 de outubro de 2014

A crise da água em SP e o problema do aparelhamento do Estado





              O Estado de São Paulo passa por uma crise no abastecimento de água. O Sistema Cantareira responsável pelo abastecimento da cidade já opera com seu "volume morto", que a parte mais funda do reservatório, o nível de água que fica abaixo da captação das comportas, o que significa que a água que era para ser utilizada em casos de emergência já está sendo utilizada. O "volume morto" é dividido em três partes. A primeira parte começou a ser utilizada em Maio e a segunda parte no dia 17 de Outubro. Para utilizar a segunda parte o Governo do Estado precisava de uma autorização da Agência Nacional de Águas, que autorizou e do Departamento de Águas e Energia Elétrica que não se manifestou. O Governo do Estado cogitou ontem utilizar a terceira parte do "volume morto", que tem a capacidade de 200 bilhões de litros de água.

              Uma complicação que pode surgir na utilização dessa terceira parte do "volume morto" é a possibilidade de que poluentes sedimentados no fundo das represas e a presença de metais pesados possam não ser tratados e a poluição de São Paulo possa beber essa água. Isso porque o tratamento da água na terceira parte do "volume morto" deve ser mais intenso e consequentemente mais caro, o tratamento convencional, segundo os especialistas não irá retirar esses poluentes. Metais pesados podem causar graves problemas a saúde, atingindo o sistema nervoso, fígado, rins, pulmão, podendo causar paralisia nas mãos, perda da visão e câncer. Isso é um grande problema que o governo terá que enfrentar.

              Porém, diante dessa crise quero tratar de um assunto de suma importância: o problema do aparelhamento do estado. O termo significa a tomada de órgãos ou setores da administração pública por representantes de partidos ou grupos específicos. A administração pública deixa de ser impessoal, apartidária para servir a partidos políticos ou a interesses de certos grupos. Pois bem, o presidente da Agência Nacional de Águas, Vicente Andreu Guillo, é petista e foi nomeado pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva para o cargo. Ontem ele participou de uma audiência na Assembléia Legislativa de São Paulo e declarou que se não chover a SABESP, a companhia responsável pelo abastecimento de água em SP, vai ter que tirar água do "lodo". O presidente evidentemente quis causar "medo" na população de São Paulo, supervalorizando a crise.

              Aí, eu pergunto; qual a imparcialidade de um presidente de um órgão ligado a um partido para falar sobre uma crise que afetará diretamente um governo de um partido da oposição? e principalmente em um momento decisivo de uma disputa eleitoral. Esse é o problema do aparelhamento do estado. Um dos princípios da Administração pública é a impessoalidade. A administração pública não pode servir a interesses partidários. Os órgãos da Administração pública não tem partido, é do povo brasileiro.

Fontes utilizadas:
               



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