quinta-feira, 23 de outubro de 2014

A corrupção institucionalizada começa com a corrupção "domesticada"

            





 Essa semana li um texto inspirador http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/191582-eleicoes-tio-arthur-e-a-geladeira.shtml trata de um fato comprovado entre o povo brasileiro, nós gostamos de criticar a corrupção alheia, mas não criticamos a nossa própria corrupção. Nós apontamos os políticos como protótipos da corrupção e da "roubalheira", não confiamos nas instituições públicas, pois elas representam o instrumento dos políticos para se enriquecer ilicitamente. Os partidos políticos e o Congresso Nacional são os menos confiáveis http://www4.ibope.com.br/giroibope/14edicao/capa02.html

           Porém, a corrupção institucionalizada nada mais é do que um reflexo da corrupção "domesticada", emprego o termo domesticada aqui não no sentido convencional: "amansar", mas no sentido de doméstico, de lar. A corrupção começa no lar de cada brasileiro para atingir depois as instituições. O brasileiro é especialista na arte de praticar e ensinar a corrupção. A corrupção é ensinada desde o "berço", os pais tentam "subornar" um ao outro e acabam utilizando a criança para participar desse jogo. Quando os filhos são enganados por algum colega, a oportunidade para dar uma lição de ética transforma-se em um conselho para se "pagar na mesma moeda".

           Quantos não recebem benefícios assistenciais sem precisar? Quantos não adulteram informações pessoais para se enquadrar em algum requisito para obter uma assistência do governo? Quantos não vendem um produto abaixo da sua qualidade e enganam o consumidor? A ética não se aplica a nós somente para os outros. Pior do que isso, a corrupção tem ganhado atualmente um status de naturalidade, a corrupção não é a exceção, mas a regra. Tudo bem se o poder público se corrompe, contanto que o meu salário do mês não seja retirado. Esse raciocínio é tanto antiético como irracional. Imaginem um país sem corrupção, sem desvios de recursos públicos, sem enriquecimento ilícito dos agentes públicos. Os repasses para as áreas da saúde, educação e segurança pública seriam repassados de forma intacta, as obras públicas não seriam superfaturadas e teriam qualidade, assim não seria necessário refazê-las alguns meses depois gerando mais gastos.

               Nós reagimos aquilo que vemos, a corrupção é invisível, as políticas assistenciais são visíveis. Nós vemos o dinheiro entrando no nosso bolso, vivenciamos a experiência de cursar uma universidade, mas não podemos ver o que deixou de entrar no nosso bolso e não podemos ver a educação de qualidade que poderíamos ter recebido desde a infância para que seguíssemos nossa carreira sem depender de ninguém. Nós vemos que o nosso salário aumentou de 100 para 700 reais, mas ignoramos que os preços das mercadorias também aumentaram. A eliminação da corrupção não começa "em cima", mas "em baixo". Um país rico é um país sem corrupção!

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