Em um país longínquo existia uma granja onde os animais viviam em dificuldades. Dois grupos de animais se dividiram para solucionar o problema, por não compartilharem das mesmas ideias os dois grupos viviam em constante tensão. Um dos grupos tentava resolver o problema da alimentação por meio de um fundo sustentado pelos impostos cobrados dos animais. O outro líder destacava que o fundo era importante, mas era necessário construir um empreendimento e investir tempo e força de trabalho nisso, para que nunca houvesse escassez de alimentos.
O líder do outro grupo argumentou que gastar energia nesse projeto era perda de tempo e os animais morreriam de fome ao longo do trabalho. Usavam o "medo" da fome para persuadir os animais "vocês preferem gastar tempo em um projeto inviável que consumirá nossas forças, temos o nosso fundo, temos comida a hora que quisermos, vocês tem a honra de contribuir com o trabalho de vocês para sustentá-lo, o nosso adversário privilegia as elites, o projeto dele é para beneficiar os ricos."
O outro líder argumentava que o empreendimento traria benefícios a longo prazo, proporcionaria mais comida e teriam a oportunidade de estocá-la para necessidades imprevistas. Seriam criados mais postos de trabalho para o funcionamento do empreendimento e para a função de estocar os alimentos. O conflito se estabeleceu na granja quem teria razão?
Debates acalorados foram feitos, cada um defendendo seu projeto político. Ao final os animais concluíram que era melhor ficar como estava, se alimentando do fundo criado por eles, que era algo "garantido", do que se "aventurar" em um projeto que ninguém sabia se daria certo.
O grupo da oposição foi perdendo o espaço e a voz. Os animais continuaram a pagar impostos ao fundo e se alimentavam dele. Acontece que os animais começaram a perceber que os alimentos estavam diminuindo sem um motivo aparente. As chuvas eram abundantes, as colheitas eram produtivas, mas os alimentos diminuíram.
Iniciaram uma investigação e um dos animais acabou descobrindo que o líder deles estava vendendo parte dos alimentos a uma granja vizinha e não estava repartindo os lucros das vendas com os outros animais. Os animais ficaram indignados: "como pode ele vender os alimentos pagos com os nossos impostos e nem repartir os lucros?" promoveram uma manifestação de 10 dias sem cessar contra tal ato, parecia que a oposição ganharia as próximas eleições devido a esse incidente.
Próximo das eleições os debates voltaram mais agressivos do que nunca. A oposição denunciava o absurdo cometido pelo líder dos animais e conclamava os bichos a aderirem ao projeto de construção de um grande armazém para estocar uma parcela dos alimentos que eles consumiam e uma maneira de aumentar a produtividade das colheitas, para que eles não dependessem do fundo para a vida toda. O líder da situação denunciava o "terrorismo eleitoral" provocado pela oposição, inventando mentiras, os alimentos nunca tinham sido diminuídos, era só comparar as estatísticas. "Na época que os burgueses governavam, no século passado, vocês comiam 10% da ração que vocês comem hoje, nós melhoramos a vida de vocês".
A oposição argumentava que os animais só percebiam o que estavam ganhando do governo, mas não o que eles estavam deixando de ganhar. Se fosse eleito o fundo não seria extinto, mais buscaria meios de aumentar a produtividade das colheitas e uma política de prevenção contra algum desastre natural que provocasse escassez de alimentos. O líder da situação insistia que o projeto era inviável e demandaria tempo e energia dos animais e como a comida continuava posta na mesa o governo venceu as eleições de novo.
Fortalecido pelas urnas o governo continuou a vender os alimentos do fundo sem nenhum pudor, porém uma grande praga assolou a colheita, os animais dependiam apenas do fundo para não morrer de fome, o problema era que ele não era auto renovável. Na mesma época os animais ficaram sabendo que em uma granja vizinha, um projeto construído ao longo de alguns anos permitiu que a colheita não apenas ficasse livre da praga, como os alimentos eram produzidos em dobro.
"Se os porcos pudessem votar, o homem com o balde de comida seria eleito sempre, não importa quantos porcos ele já tenha abatido no recinto ao lado". Orson Scott Card.